segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Por que prata, cobre e ouro, bons condutores de eletricidade, não apresentam supercondutividade?

A supercondutividade não deve ser vista simplesmente como um aperfeiçoamento no processo normal de condução. No processo normal, um condutor é essencialmente uma rede tridimensional de átomos, regularmente ordenados, que apresenta grande quantidade de elétrons que não estão fortemente presos aos átomos, chamados elétrons livres ou de condução. Tais elétrons, quando submetidos a um campo elétrico externo, que cria uma diferença de potencial entre as extremidades do condutor, movem-se para reduzir essa diferença, formando a corrente elétrica. Como esses elétrons enfrentam alguma resistência ao seu movimento, perdem energia, dissipada em forma de calor. Apesar de adequado para descrever a condução normal, esse modelo não explica a supercondutividade, que ocorre a baixas temperaturas, é necessário considerar outra forma de interação entre elétrons, que não a seja a repulsiva.
De acordo com a teoria da supercondutividade formulada em 1957, pelos físicos norte-americanos John Bardeen (1908-1991), Leon Cooper e John Schrieffer, no estado supercondutor os elétrons não se movimentam como partículas independentes, mas aos pares (denominados pares de Cooper). Esses pares se formam a temperaturas muito baixas por ação de poderosas forças de atração, com origens em fenômenos de natureza quântica (que os físicos ainda não entendem inteiramente) e com a ajuda de ‘vibrações’ que ocorrem na rede de átomos de alguns materiais. Os pares de Cooper apresentam um estado de energia reduzida e se deslocam pelo material sem enfrentar resistência (portando, sem perder energia).
A explicação para a prata, o cobre e o ouro (os melhores condutores de eletricidade à temperatura normal que conhecemos, nesta ordem) não apresentam supercondutividade, mesmo a temperaturas tão baixas quanto 0,05K (-273,10°C), é a fraca capacidade de interação entre os elétrons e a rede de átomos desses materiais. Neles, a ação das forças de atração responsáveis pela supercondutividade mostra-se incapaz de superar a repulsão natural entre os elétrons, impedindo a produção dos pares de Cooper – e as razões dessa incapacidade ainda são estudadas pelos físicos. (José Fernando Moura Rocha, Departamento de física do estado sólido, Universidade Federal da Bahia).

Ciência Hoje, Março de 2012

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