segunda-feira, 21 de novembro de 2022

QUAL A IMPORTÂNCIA DE SE CONHECER A FORMA DA TERRA?

 Conhecer tanto a forma como a dimensão da Terra é fundamental para operações relacionadas ao
 posicionamento terrestre, à navegação (seja terrestre, marítima ou aérea) e a elaboração de mapas,
 com detalhamentos variados. Pequenas incertezas nessa determinação podem ser responsáveis por
 grandes erros. A forma e as dimensões do nosso planeta podem ser definidas com diferentes graus de exatidão. 
Até meados do século 17, considerava-se a Terra como uma esfera regular. Com as novas teorias
 físicas (newtonianas), foi possível qualificar melhor as forças gravitacionais. Por meio de medições realizadas
 em diferentes latitudes, foram identificadas diferenças expressivas entre os raios geométricos do planeta. Foi
o xeque-mate para o paradigma da Terra esférica.
Quando se colocou em questão o valor constante do raio da Terra, chegou-se a um novo conceito: o de um
 elipsoide de revolução. Achatado nos polos, o elipsoide de revolução é ainda hoje a figura matemática que
 os geodesistas (cientistas dedicados a estudar, entre outras questões, a forma e as dimensões da Terra) 
consideram a que mais se adapta à forma verdadeira da Terra. Ela é representada fisicamente como um 
geoide, que, de forma simples, pode ser definido como uma superfície fictícia determinada pelo prolongamento
 do nível médio dos mares sobre os continentes.
A superfície terrestre é irregular, com deformações, e seu formato está em constante modificação, consequência
 das ações erosivas, dos vulcões, do movimento das placas tectônicas, dos ventos, das chuvas, das ações do
 homem etc. Para representar a superfície terrestre em um plano, é necessário que se adote uma superfície de
 referência, que corresponda a uma figura matematicamente definida. Dependendo do propósito do mapeamento,
 a representação da Terra pode variar entre um plano tangente à superfície terrestre (específico para representação
 de pequenas áreas – um terreno, por exemplo), um elipsoide de revolução (para representar áreas maiores, como
 um país) ou uma esfera (para o caso de áreas muito maiores, como um continente ou o próprio globo terrestre,
 quando, na escala de representação utilizada, os raios equatorial e polar não apresentam diferença significativa. 
(Adaptado de Nem plana, nem redonda, coluna Geoinformação, CH 345)
Carla Madureira Cruz, Departamento de Geografia, Instituto de Geociências, UFRJ.

domingo, 21 de agosto de 2022

Um cadáver poderia permanecer eternamente no espaço sem se deteriorar?

As condições no espaço, como a ausência de oxigênio e as temperaturas negativas, de fato, conservam melhor. Mas, mesmo assim, ele vai se deteriorar por causa das bactérias anaeróbicas, que não precisam de oxigênio e estão dentro do nosso próprio corpo. O médico-legista Luiz Prestes Jr. diz que a putrefação se iniciaria logo após a morte. Para a conservação do cadáver existem técnicas como a criogenia, que congela o corpo com nitrogênio líquido, ou a tanatopraxia, na qual se injetam substâncias conservantes que retardam a ação das bactérias. 

Super, Maio de 2010. 

terça-feira, 21 de junho de 2022

A bandeira deixada pelos americanos na Lua continua lá até hoje?

 Provavelmente sim, embora ninguém fique controlando. E nunca tremulou, em 28 anos, pois na Lua não há vento. Doze astronautas norte-americanos estiveram na Lua, transportados pelas naves Apollo, entre 1969 e 1972. Se ninguém apagar e nenhum meteorito cair em cima, até as pegadas deles deverão permanecer na superfície do satélite por centenas de milhares de anos. As bases das naves que pousaram e depois decolaram de volta para a Terra também ficaram. Idem para a placa assinada pelo presidente Richard Nixon, que declara: " Viemos em paz, em nome de toda a humanidade". Tudo deve continuar lá, intocado.

" A erosão que acontece na Lua ocorre por gravidade (como a poeira que escorrega da borda íngreme de uma cratera), por pequenos tremores de terra ou pelo impacto de meteoritos e raios cósmicos", enumera a geóloga planetária brasileira Rosaly Lopes-Gautier, da Nasa. Como essas forças possuem efeitos reduzidos e não há nada capaz de mexer no que os americanos deixaram, é provável que a bandeira levada pelos astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin, os primeiros homens a pisar no satélite, continue enfiada no solo lunar por 1 milhão de anos.

SUPER, Janeiro 1998.

terça-feira, 17 de maio de 2022

O que é alquimia?

 Imagine se toda a matéria do mundo fosse formada por quatro elementos: água, ar, fogo e terra. Teoricamente, seria possível, apenas alterando a proporção deles, transformar um material em outro, fundir cobre, ferro, estanho, chumbo, misturar com mercúrio, arsênico, sais e obter o metal perfeito: o ouro.

Era o que acreditavam os alquimistas da Europa medieval. Hoje, a ideia parece ingênua. "Eles não conheciam a estrutura atômica e não podiam observar moléculas e elementos químicos", conta Ana Alfonso-Goldfard, professora de História da Química Antiga e Medieval na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. " Mas suas ideias eram extremamente lógicas." Além de conhecerem processos sofisticados de laboratório, eram capazes de fazer ligas metálicas e reações químicas. Foram os precursores da Química, à qual legaram o nome: Al khemia, em egípcio, quer dizer transmutação. Foram os árabes que levaram a alquimia para a Europa.


SUPER, Janeiro de 1998.

quinta-feira, 21 de abril de 2022

QUANDO O FÓTON FOI COMPROVADO EXPERIMENTALMENTE?

 O fóton, que pode ser definido como uma partícula de luz, foi proposto teoricamente, em 1905, pelo físico de origem alemã Albert Einstein (1879-1955), que o classificou como a “ideia mais revolucionária” de sua vida. 

Einstein chegou a esse resultado ao analisar o efeito fotoelétrico, fenômeno no qual a luz, ao incidir sobre a superfície de metais, arranca dela elétrons – por sinal, Einstein ganhou o Nobel de 1921 por esse trabalho.

A ideia de que a luz tinha natureza corpuscular foi polêmica desde o início. Por exemplo, o físico alemão Max Planck (1858-1947) – grande incentivador da carreira de Einstein e propositor de ideia semelhante em 1900 para a energia – considerou essa ideia equivocada. 

Em 1913, em carta recomendando Einstein à Academia Prussiana de Ciências, Planck escreveu que seu colega havia dado contribuições relevantes para a física teórica, apesar de ter proposto o “quanta de luz” (fóton). E justificou: não se podem introduzir novas ideias sem correr riscos – entenda-se, cometer erros.

A primeira prova da natureza corpuscular da luz – ou seja, da realidade física do fóton – surgiu em um experimento de Arthur Compton (1892-1962). Nele, esse físico estadunidense fez fótons colidirem contra elétrons. Em termos simples, esses resultados mostravam que o fóton se comportava como ‘uma bola de bilhar’, ricocheteando no elétron. 

O fenômeno ficou conhecido como efeito Compton. Pouco depois, resultados semelhantes foram obtidos por dois físicos alemães, Hans Geiger (1882-1945) e Walther Bothe (1891-1957). 

Por volta de 1925, novos experimentos de Compton, bem com de Geiger e Bothe, corroboraram os resultados anteriores. A partir daí, dizimou-se a dúvida sobre a realidade do fóton – realidade da qual, segundo o físico e historiador da ciência holandês Abraham Pais (1918-2000), só um físico nunca duvidou entre 1905 e 1925: Einstein.

E para encerrar, o termo fóton, na área da física, foi proposto pelo físico-químico estadunidense Gilbert Lewis, em 1926.

O termo se refere a um modo de fazer ciência que teve origem na Segunda Guerra Mundial com o chamado Projeto Manhattan, que construiu as bombas atômicas lançadas sobre o Japão, em agosto de 1945.

Esse projeto reuniu milhares de cientistas, engenheiros e técnicos sob o comando do Exército estadunidense, em empreitada ultrassecreta.

Logo depois do fim da Segunda Guerra, ganhou força nos EUA esse modo centralizado de fazer ciência e administrar milhares de especialistas. Nele, cientistas passaram a trabalhar em grandes laboratórios nacionais, exigindo dos chefes desses projetos capacidade empresarial de administrar pessoas, verbas e metas. 

Um dos primeiros exemplos de Big Science foi a construção da primeira câmara de bolhas (tipo de detector para partículas subatômicas) e a do acelerador Bévatron, também na costa oeste dos EUA. Esses equipamentos levaram, na década de 1950, à detecção do antipróton (próton negativo).

Nos EUA, projetos de Big Science sugavam volumes imensos de verbas vindas de setores militares, a ponto de, em 1954, 98% do financiamento para a física básica naquele país virem da área de defesa – incluindo a poderosa Comissão de Energia Atômica, sucessora do Projeto Manhattan.

Estudos de história da física mostram que essas agências de defesa tinham pouco (ou nenhum) interesse nos resultados científicos: a intenção do financiamento era manter os cientistas mobilizados no pós-guerra, em um período hoje conhecido como Guerra Fria, marcado pela tensão geopolítica entre os EUA e a então União Soviética.

No fim da Segunda Guerra, surgiu o que historiadores da ciência denominam ‘metafísica da Guerra Fria’, ou seja, conhecimento é poder político, econômico e militar. O Brasil foi dos poucos países (talvez, o único) em desenvolvimento que perceberam e, guardadas as proporções, puseram em prática essa doutrina. Isso se deu por meio da montagem de um laboratório de física – ligado ao então recém-fundado Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, no Rio de Janeiro (RJ) – a cerca de 5 mil metros de altura no monte Chacaltaya (Bolívia) e da tentativa (frustrada) de construir um acelerador de partículas gigante – no caso, o interesse dos militares era o ciclo completo da energia nuclear, que o Brasil domina hoje.

Nas décadas seguintes, outras áreas da ciência emularam a estrutura da Big Science. Exemplos: o Projeto Genoma, com milhares de pesquisadores de vários países, e um sem-número de colaborações internacionais em astronomia e astrofísica. Hoje, na área de física, o Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN), com sede na Suíça, é um caso emblemático de Big Science (Cássio Leite Vieira, Jornalista Especial para a Ciência Hoje).


Ciência Hoje, n. 381.

Como o choque elétrico corrige uma parada cardíaca?

 Fazendo pegar no tranco. O coração funciona com estímulos elétricos que se propagam pelo músculo causando contração e, depois, relaxamento. "Às vezes, por causa de doença cardíaca, acidentes ou complicações cirúrgicas, o impulso engasga e não chega", esclarece o professor Noedir Stolf, do Instituto do Coração, em São Paulo. Quando isso acontece, há fibrilação, isto é, o músculo entra em atividade caótica, sem conseguir contrair nem bombear o sangue.

Em alguns casos, basta uma pancadinha no peito para elimina a arritmia. Em caso de parada cardíaca, os médicos usam o desfibrilador, aparelho que dá choque no tórax. O efeito é o de uma pancada forte. O impacto normaliza a falha elétrica, fazendo o impulso ultrapassar a gagueira e chegar aonde deve. Não substitui o impulso, apenas desimpede o seu caminho. A descarga do choque pode ir até 200 joules (unidade de medida de energia) - o suficiente para acender uma lâmpada de 200 watts por 2 segundos. Mas só funciona quando a parada cardíaca é provocada por fibrilação. Quando o impulso elétrico deixa de ser emitido, só medicamentos ou massagens cardíacas podem fazer o órgão voltar a bater.


SUPER, janeiro de 1998.

segunda-feira, 11 de abril de 2022

A Exobiologia é reconhecida como ciência?

 Sim, e das mais importantes. Mas, por favor, não confunda Exobiologia, estudo de vida fora da Terra, com Ufologia, que trata de discos voadores. A Exobiologia é um ciência multidisciplinar que mistura elementos da Biologia, Física e Química. " É simplesmente apaixonante", diz o físico Carlos Vianna Speller, da Universidade Federal de Santa Catarina, que construiu um modelo da atmosfera de Titã, uma das luas de Saturno, em laboratório. Apesar da temperatura de 150 graus Celsius negativos, Titã possui os elementos químicos necessários para o surgimento da vida. " É o que a Terra foi há 4 milhões de anos." Ou seja, estudando a atmosfera do satélite, o cientista investiga a gênese e a evolução dos organismos na Terra. Na NASA. a agência espacial norte-americana, a Exobiologia é prioridade.


SUPER, Janeiro de 1998.

quarta-feira, 9 de março de 2022

Por que a parte de baixo de algumas nuvens é reta e a de cima é ondulada?

 Só as nuvens conhecidas como cúmulos têm a parte de baixo reta. Elas são formadas pela sobreposição de várias camadas de gotículas de água. Aliás, a palavra cúmulo significa mesmo a reunião de coisas sobrepostas. A formação delas ocorre da seguinte maneira. Em dias de Sol forte, alguns tipos de superfície da Terra absorvem radiação solar melhor que outras e, portanto, se aquecem mais rapidamente. " O ar entra em contato com essas superfícies e se torna mais quente e menos denso que o resto do ar que está a sua volta, subindo como se fosse uma bolha", diz o meteorologista Adilson Gandu, da Universidade de São Paulo.

Essa bolha é chamada de térmica. No momento de ascensão, o ar se resfria, provocando um aumento da umidade da térmica. Quando a umidade cresce, começam a se forma gotículas de água que se tornam visíveis na forma de nuvem. A nuvem se forma a uma altura em torno de 1 ou 2 quilômetros, dependendo da temperatura da térmica perto da superfície e da quantidade de vapor que ela carrega.

Quanto mais quente  e menos úmida for a térmica, mais alto será o ponto onde ela vira nuvem. Como o nível de condensação encontra-se em uma altitude bem definida, a base da nuvem se alinha na mesma altura e fica reta. O formato irregular das laterais e do topo se deve às novas térmicas que penetram pela base do cúmulo. Como a região já está cheia de gotículas de água, essas novas térmicas se condensam logo acima da primeira camada, e assim sucessivamente, criando um empilhamento.


SUPER, Julho de 1996.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Onde estão as duas sondas espaciais Voyager?

 Longe, muito longe. A Voyager 1 está a 10 bilhões de quilômetros da Terra e a Voyager 2, a 8 bilhões de quilômetros. E continuam se distanciando daqui a 70.000 quilômetros por hora. As duas foram lançadas em 1977 para fotografar os grandes planetas do Sistema Solar: Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. A trajetória das naves foi calculada para que a gravidade desses planetas as puxasse para a frente, aumentando a velocidade. " A missão é um sucesso", diz o astrônomo Jorge Carvano, do Observatório Nacional do Rio de Janeiro. " Elas descobriram 22 novas luas, encontraram anéis em Júpiter, atividade vulcânica em lo, um dos satélites jupiterianos, e gêiseres em tritão, uma das luas de Netuno. Em 1990, as duas ultrapassaram a órbita do último planeta, Plutão.

Mas a missão não acabou. Hoje, elas estão enviando dados sobre a heliopausa, uma região quase desconhecida do Sistema Solar, onde o vento solar (uma nuvem de partículas e plasma emitida pelo Sol) tromba com o vento de outras estrelas. As naves deverão funcionar mais vinte anos. Depois disso, vão vagar pelo Universo, desligadas, carregando discos de ouro dirigidos a eventuais extraterrestres, com gravações de imagens, músicas e saudações em várias línguas. Inclusive um "Paz e Felicidade para todos" em bom português. Uma missão maravilhosa.


SUPER, Julho de 1998.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Como se mede a velocidade do vento?

 "Não é possível perseguir uma partícula do ar para definir sua velocidade", diz o meteorologista Mario Festa, do Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo, "então temos que recorrer ao cálculo." A solução é um instrumento em forma de U, cheio de óleo, conhecido como Tubo de Pitot. Sabendo-se o peso do óleo e observando quantos milímetros o vento o empurra, os meteorologistas calculam a força do vento e deduzem sua velocidade. Mas há outros tipos de anemômetros, instrumentos para medir a velocidade do vento. O mais conhecido deles é o cata-vento, no qual as pás giram com a passagem do ar e geram energia. Medindo a energia produzida, sabe-se a velocidade do vento. Para obter precisão, no entanto, os cata-ventos precisam ser calibrados como Tubo de Pitot.

Entenda como o Tubo de Pitot mede a velocidade do vento

1 - O ar entra pelo tubo e empurra o líquido que está no fundo. Quanto mais forte, mais o óleo é empurrado para cima.

2 - O tubo graduado indica quanto a coluna de óleo subiu. Com isso calcula-se a intensidade do vento e, a partir dela, sua velocidade.


SUPER, Julho de 1998.


segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Por que os tecidos encolhem quando lavados?

Na fabricação, cria-se uma rede de fios que ficam esticados. Mas, com a água, eles deslizam uns sobre os outros e a trama se desorganiza. Aí a tensão diminui e os fios encurtam, como molas encolhidas. Resultado: quando seca, a roupa está menor. " Se lavar com sabão o efeito é maior, porque ele é um lubrificante que facilita o deslizamento", explica o engenheiro têxtil Paulo Alfieri, da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), em São Bernardo do Campo, São Paulo. Por isso, os tecidos de melhor qualidade já vêm previamente encolhidos (sanforizados). 

As roupas de lã encolhem mais porque suas fibras são recobertas por microescamas. Quando molhadas, elas se enroscam, contrariando o conjunto, a saber:

Antes de lavar: os fios de lã são formados por fibras recobertas por pequenas escamas; 

Molhada: As fibras incham abrindo as escamas, que se encaixam umas nas outras;

Seca: As fibras se enroscam e uma puxa a outra. O espaço entre elas diminui e o tecido encolhe até 30%.


SUPER, Julho de 1998.