domingo, 18 de janeiro de 2026

Quais os efeitos do calor extremo no corpo humano?

 O corpo humano usa diversas estratégias para manter sua temperatura em torno de 36,5 ºC. Quase sempre ela oscila menos de 1 ºC ao longo de 24 horas. Essas estratégias compõem o sistema termorregulador, que trabalha para evitar tanto o resfriamento corporal quanto o seu aquecimento, e procura manter um estado de conforto térmico.
Extremos de temperatura exigem ações potentes do sistema termorregulador. Temperaturas ambientais altas – ou atividade corporal em ambientes relativamente quentes – acionam um poderoso mecanismo de resfriamento: a evaporação de água. É uma experiência comum a sensação de suar nessas situações. O suor é uma secreção de glândulas da pele composto por água e sais (especialmente cloreto de sódio), que se evapora em contato com o ar, dissipando o calor excessivo. Na verdade, a sudorese (produção de suor) é a única forma eficiente de resfriamento em ambientes com temperatura próxima ou superior à temperatura corporal, ou capaz de eliminar o calor produzido pela atividade muscular. Para sustentar a produção de suor, os vasos sanguíneos da pele se dilatam, produzindo outra experiência comum, a de estar com a pele quente e avermelhada.
O excesso de calor e as respostas termorreguladoras para o resfriamento corporal podem causar estresse térmico: sensação de desconforto, câimbras, inchaço nos membros inferiores e desmaios. Mas esses efeitos podem ser facilmente revertidos com hidratação adequada e mudança para um local mais fresco: Os problemas se tornam progressivamente mais graves à medida que a desidratação por causa do suor e a falha no resfriamento do corpo não impedem mais o aumento da temperatura corporal (hipertermia), resultando em exaustão térmica e choque térmico por calor. Eles causam confusão mental, dor de cabeça, tontura, náusea, aceleração do coração, queda da pressão arterial e vômitos. E quando a temperatura corporal atinge 40 ºC ou mais, a pessoa pode ter convulsões, trombose, hemorragia e lesões nos rins, fígado e cérebro. Mesmo com intervenções rápidas e adequadas para o resfriamento, como bolsas de água fria, essas lesões podem levar a problemas mais sérios e, mesmo, causar a morte, até vários dias depois do episódio de hipertermia (Maria Montserrat Diaz Pedrosa, Departamento de Ciências Fisiológicas, Universidade Estadual de Maringá).

Ciência Hoje (405), dezembro de 2023.

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