A palavra "remasterizado" é de matar, mas é simples. Esse anglicismo que invadiu o vocabulário musical é um neologismo feito da palavra inglesa master, que, no caso, quer dizer matriz. A expressão designa o CD cujo som passou por uma peneira eletrônica. "A técnica transforma gravações antigas, feitas de forma analógica, em gravações digitais", explica o engenheiro eletrônico Cézar Rabak, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, em São Paulo. A remasterização tira os chiados dos discos feitos em vinil, que sofriam interferência eletrostática.
Super, Abril de 2007.
A particularidade deste blog está em apresentar as perguntas - sobre assuntos que envolvam conteúdos de física, dos leitores (e/ou colaboradores) de revistas de divulgação científica - em conjunto com a resposta. O objetivo é “transformar” a pergunta e a respectiva resposta em um texto didático e dinâmico para o ensino de física. (http://www.sbfisica.org.br/fne/Vol7/Num1/v12a02.pdf)
sexta-feira, 23 de março de 2018
É verdade que a água gasosa pode aumentar a pressão arterial?
Não. A água gasosa contém sódio, mas em muito pouca quantidade. Embora a ingestão de sal (cloreto de sódio - NaCl) seja importante fator no desenvolvimento da pressão arterial, os seres humanos precisam consumir de 2 a 4 gramas de sódio por dia. Assim, para que a água gasosa aumentasse a pressão, seria necessário o consumo de uma quantidade muito grande dessa bebida.
Vale ressaltar que 77% do sal que consumimos vêm de alimentos industrializados. Os mais importantes em quantidade de sal são os enlatados e os embalados com sal em recipientes de vidro (como, por exemplo, azeitonas, palmito, maionese, ketchup, mostarda etc.), os embutidos (salame, salsicha, presunto etc.), queijos e pães.
A água com gás, desse modo, não é uma preocupação dos clínicos nas orientações aos hipertensos. (Celso Amoedo, Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, São Paulo-SP).
Ciência Hoje, outubro de 2009.
Vale ressaltar que 77% do sal que consumimos vêm de alimentos industrializados. Os mais importantes em quantidade de sal são os enlatados e os embalados com sal em recipientes de vidro (como, por exemplo, azeitonas, palmito, maionese, ketchup, mostarda etc.), os embutidos (salame, salsicha, presunto etc.), queijos e pães.
A água com gás, desse modo, não é uma preocupação dos clínicos nas orientações aos hipertensos. (Celso Amoedo, Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, São Paulo-SP).
Ciência Hoje, outubro de 2009.
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018
A tabela periódica sofreu mudanças desde a sua criação? Há algum documento oficial que apresente essas mudanças?
A Tabela Periódica, como proposta Dmitri Mendeleiev (1834-1907), não sofreu alterações significativas ao longo do tempo, uma vez que a lógica utilizada - baseada na ordenação da massas atômicas - ainda é mantida. Periodicamente, podem ser feitas atualizações quanto à inserção de um novo elemento químico (sintetizado em laboratório, por exemplo) ou para definir o nome de um elemento que tinha denominação provisória, como o ununócito (Uuo).
As alterações são realizadas por meio de convenções, ou seja, convenciona-se que a partir de agora tal elemento será chamado por um nome de comum acordo e o símbolo correspondente terá como origem o nome acertado. O mesmo ocorre em relação à utilização de algarismos romanos ou indo-arábicos para a numeração dos grupos. Desde 1990, os grupos não são mais diferenciados entre 1A, 1A, 1B, 2B... Agora, os grupos são numerados de 1 a 18 na sequência do período. Muitos livros, porém, ainda usam a definição anterior.
Como resultam de convenções, é bem possível que as mudanças feitas na tabela não sejam encontradas em documentos que as comprovem além das atas das reuniões da União Internacional de Química Pura e Aplicada (da sigla em inglês, Iupac). Mesmo na página oficial desse órgão na internet não existem informações a esse respeito. Como o Brasil segue as recomendações da Iupac por ter representante no órgão, devemos seguir o modelo adotado desde 1990 (Luiz Henrique Ferreira, Laboratório de Ensino e Aprendizagem de Química, Universidade Federal de São Carlos).
Ciência Hoje, novembro de 2013.
As alterações são realizadas por meio de convenções, ou seja, convenciona-se que a partir de agora tal elemento será chamado por um nome de comum acordo e o símbolo correspondente terá como origem o nome acertado. O mesmo ocorre em relação à utilização de algarismos romanos ou indo-arábicos para a numeração dos grupos. Desde 1990, os grupos não são mais diferenciados entre 1A, 1A, 1B, 2B... Agora, os grupos são numerados de 1 a 18 na sequência do período. Muitos livros, porém, ainda usam a definição anterior.
Como resultam de convenções, é bem possível que as mudanças feitas na tabela não sejam encontradas em documentos que as comprovem além das atas das reuniões da União Internacional de Química Pura e Aplicada (da sigla em inglês, Iupac). Mesmo na página oficial desse órgão na internet não existem informações a esse respeito. Como o Brasil segue as recomendações da Iupac por ter representante no órgão, devemos seguir o modelo adotado desde 1990 (Luiz Henrique Ferreira, Laboratório de Ensino e Aprendizagem de Química, Universidade Federal de São Carlos).
Ciência Hoje, novembro de 2013.
segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
A energia dos raios pode ser aproveitada de alguma forma?
Por enquanto não existe uma tecnologia que armazene a energia dos raios para aproveitá-la depois. Mas, mesmo que existisse, não seria tão importante. Na verdade, o raio mata e apavora homens e animais, mas sua potência não é tão grande assim. A energia que um raio transfere da nuvem para a terra tem em torno de 500 quilowatts. Se você olhar a conta de luz da sua casa, vai ver que isso é pouco mais do que se consome em um mês.
"Talvez, no futuro, seja possível lançar mão de uma torre para captar raios e alimentar um sítio ou fazenda", diz o meteorologista Osmar Pinto Júnior, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em São José dos Campos, São Paulo. "Isso poderá ser feito principalmente em regiões com alta incidência de relâmpagos, ou seja, mais de cinco faíscas por quilômetro quadrado por ano", completa.
Ainda assim, será necessário estudar bem se o custo da montagem do equipamento compensa o benefício. Mesmo se fosse possível capturar todos os relâmpagos que caem em uma cidade como São Paulo (de 5 000 a 10 000 por ano) - por meio de milhares de torres ou pára-raios -, a energia capturada seria suficiente para alimentar apenas vinte edifícios. Ou seja, não vale a trabalheira.
Super, abril de 1997.
"Talvez, no futuro, seja possível lançar mão de uma torre para captar raios e alimentar um sítio ou fazenda", diz o meteorologista Osmar Pinto Júnior, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em São José dos Campos, São Paulo. "Isso poderá ser feito principalmente em regiões com alta incidência de relâmpagos, ou seja, mais de cinco faíscas por quilômetro quadrado por ano", completa.
Ainda assim, será necessário estudar bem se o custo da montagem do equipamento compensa o benefício. Mesmo se fosse possível capturar todos os relâmpagos que caem em uma cidade como São Paulo (de 5 000 a 10 000 por ano) - por meio de milhares de torres ou pára-raios -, a energia capturada seria suficiente para alimentar apenas vinte edifícios. Ou seja, não vale a trabalheira.
Super, abril de 1997.
domingo, 10 de dezembro de 2017
Qual a função do Bocal de Laval na estrutura dos foguetes?
O bocal ou tubeira de Laval é um dispositivo, localizado na parte posterior dos foguetes, que tem a função de acelerar os gases produzidos na câmaras de combustão do motor para que atinjam velocidades supersônicas, contribuindo para formar o empuxo - a força propulsora.
Projetado em 1888 pelo engenheiro sueco Carl Gustaf Patrick de Laval (1845-1913), o dispositivo é composto basicamente por dois segmentos distintos, um convergente, que recebe os gases quentes gerados pela queima do combustível e os força a passar por uma abertura mais estreita, e um divergente, que permite a expansão rápida desses gases, o que faz com que adquiram velocidades capazes de impulsionar o foguete. As tubeiras modernas, utilizadas na maioria dos foguetes espaciais lançados atualmente, inclusive no Veículo Lançador de Satélites (VLS) brasileiro, e também nos mísseis balísticos militares, são fabricadas com um composto de fibra de carbono embebida em um tipico especial de resina química (Paulo Moraes Jr., Instituto de Aeronáutica e Espaço - IAE).
Revista Ciência Hoje, 2008.
Projetado em 1888 pelo engenheiro sueco Carl Gustaf Patrick de Laval (1845-1913), o dispositivo é composto basicamente por dois segmentos distintos, um convergente, que recebe os gases quentes gerados pela queima do combustível e os força a passar por uma abertura mais estreita, e um divergente, que permite a expansão rápida desses gases, o que faz com que adquiram velocidades capazes de impulsionar o foguete. As tubeiras modernas, utilizadas na maioria dos foguetes espaciais lançados atualmente, inclusive no Veículo Lançador de Satélites (VLS) brasileiro, e também nos mísseis balísticos militares, são fabricadas com um composto de fibra de carbono embebida em um tipico especial de resina química (Paulo Moraes Jr., Instituto de Aeronáutica e Espaço - IAE).
Revista Ciência Hoje, 2008.
sexta-feira, 10 de novembro de 2017
Os raios cósmicos de alta energia podem matar um astronauta no espaço?
Podem, mas a probabilidade de isso acontecer é muito pequena, tão pequena que não deve preocupar os planejadores de viagens espaciais. É muito mais alta, por exemplo, a probabilidade de ser atingido por um micrometeorito com energia suficiente para matar um astronauta.
Os raios cósmicos de baixa energia, que estão por toda parte, porém, são um problema muito sério para viagens longas, como uma possível viagem para Marte.
Uma pessoa na superfície da Terra recebe um radiação de origem cósmica constante, algo como uma dezena de raios por segundo atravessando seu corpo. Essa radiação é bastante inócua. No entanto, o fluxo da radiação no espaço é muito maior e potencialmente mais perigoso. Perto da Terra, o campo magnético atenua esse fluxo. Longe, o seu efeito é mais sério.
Raios cósmicos de origem galáctica, com energias de alguns gigaelétron-volts por núcleos, são bastante abundantes e oferecem mais perigo para seres vivos, danificando genes e células. O efeito acumulado desses danos pode inviabilizar as viagens interplanetárias, a menos que sejam desenvolvidos meios de proteger os astronautas (Ronald Cintra Shellard, Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas - RJ).
Ciência Hoje, Outubro de 2009.
Os raios cósmicos de baixa energia, que estão por toda parte, porém, são um problema muito sério para viagens longas, como uma possível viagem para Marte.
Uma pessoa na superfície da Terra recebe um radiação de origem cósmica constante, algo como uma dezena de raios por segundo atravessando seu corpo. Essa radiação é bastante inócua. No entanto, o fluxo da radiação no espaço é muito maior e potencialmente mais perigoso. Perto da Terra, o campo magnético atenua esse fluxo. Longe, o seu efeito é mais sério.
Raios cósmicos de origem galáctica, com energias de alguns gigaelétron-volts por núcleos, são bastante abundantes e oferecem mais perigo para seres vivos, danificando genes e células. O efeito acumulado desses danos pode inviabilizar as viagens interplanetárias, a menos que sejam desenvolvidos meios de proteger os astronautas (Ronald Cintra Shellard, Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas - RJ).
Ciência Hoje, Outubro de 2009.
segunda-feira, 6 de novembro de 2017
Como funciona o radiotelescópio?
Ei, você que está lendo este texto, sabe por que consegue enxergá-lo? Porque seus olhos são sensíveis à luz visível, que é uma onda eletromagnética. A luz refletida na página da revista chega aos nossos olhos e a informação por ela carregada é enviada para seu cérebro, que a transforma em imagens que você consegue entender. Mas a luz visível é apenas um tipo de onda eletromagnética. Existem muitos outros como as ondas de rádio, que podem ser detectadas por um radinho de pilha ou... pelos radiotelescópios! A diferença básica é que o radinho de pilha capta as ondas de rádio emitidas pelas estações na Terra, enquanto os radiotelescópios captam as ondas vindas de fora da Terra, emitidas pelos astros.
Em 1932, os astrônomos descobriram que os objetos celestes emitem este tipo de energia. Com ela, foi possível realizar muitas descobertas importantes que as ondas de luz visível não mostravam. Mas o problema é que estas ondas de rádio podem ser muito fracas, e os objetos que existem na Terra podem interferir na sua captação.
A solução foi criar um equipamento específico para captá-las, o radiotelescópio. Ele tem a forma de uma grande antena parabólica, justamente para capturar uma quantidade grande destas ondas. Depois de captadas, as ondas são processadas por computadores específicos para remover as interferências. Assim, analisando as ondas de rádio que vem do espaço, os astrônomos podem obter informações importantíssimas sobre o universo. Podem observar, por exemplo, detalhes da superfície do Sol que outros métodos não revelam e descobrir novos objetos celestes.
Depois deste processo, as informações podem ainda passar por outro processo de conversão, gerando imagens. Diga lá, você é capaz de identificar, na figura acima, o planeta que o radiotelescópio captou? (Eder Cassola Molina, Departamento de Geofísica, Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP).
CHC, maio de 2013.
Em 1932, os astrônomos descobriram que os objetos celestes emitem este tipo de energia. Com ela, foi possível realizar muitas descobertas importantes que as ondas de luz visível não mostravam. Mas o problema é que estas ondas de rádio podem ser muito fracas, e os objetos que existem na Terra podem interferir na sua captação.
A solução foi criar um equipamento específico para captá-las, o radiotelescópio. Ele tem a forma de uma grande antena parabólica, justamente para capturar uma quantidade grande destas ondas. Depois de captadas, as ondas são processadas por computadores específicos para remover as interferências. Assim, analisando as ondas de rádio que vem do espaço, os astrônomos podem obter informações importantíssimas sobre o universo. Podem observar, por exemplo, detalhes da superfície do Sol que outros métodos não revelam e descobrir novos objetos celestes.
Depois deste processo, as informações podem ainda passar por outro processo de conversão, gerando imagens. Diga lá, você é capaz de identificar, na figura acima, o planeta que o radiotelescópio captou? (Eder Cassola Molina, Departamento de Geofísica, Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP).
CHC, maio de 2013.
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