O álcool usado para fazer essas
pastilhas é diferente do álcool etílico que se compara em farmácia e
supermercados. Cada molécula do etílico é formada por apenas dois átomos de
carbono. O sólido é feito com álcoois de cadeia mais longa, ou seja, que têm
maior número de carbonos em sua composição. O mais usado é o álcool
estearílico, tão combustível quanto o etílico e não-tóxico. Ele tem dezoito
carbonos em cada molécula. Isso faz com que sua consistência seja mais sólida,
parecida com a da parafina, tornando possível a preparação de pastilhas para
acendimento de lareiras e churrasqueiras. Nos acampamentos do Exército é comum
encontrar-se fogareiros que usam essa substância.
A particularidade deste blog está em apresentar as perguntas - sobre assuntos que envolvam conteúdos de física, dos leitores (e/ou colaboradores) de revistas de divulgação científica - em conjunto com a resposta. O objetivo é “transformar” a pergunta e a respectiva resposta em um texto didático e dinâmico para o ensino de física. (http://www.sbfisica.org.br/fne/Vol7/Num1/v12a02.pdf)
segunda-feira, 21 de julho de 2014
O que se sabe sobre Deimos e Fobos, satélites de Marte? Quando foram descobertos?
Fobos (terror em grego) e
Deimos (pânico) são dois satélites naturais (ou luas) de Marte. Seus diâmetros
são tão pequenos (27 km e 15 km, respectivamente) que nem sequer possuem forma
esférica, parecendo mais duas grandes pedras que orbitam em volta de Marte.
Eles foram descobertos em 1877 pelo astrônomo norte-americano Aspah Hall
(1829-1907) e possuem órbitas circulares no plano do equador marciano. Como a
Lua, seus períodos de rotação em torno de seus eixos coincidem com os de
translação em torno de Marte, de tal forma que cada um tem sempre a mesma face voltada
para Marte. Em Fobos, há crateras de até 10km de diâmetro, ou seja, cerca de um
terço do diâmetro do satélite. Já em Deimos, as crateras não ultrapassam os 3
km de diâmetro. O solo dos satélites é composto de um material muito escuro,
cuja idade é estimada entre 2,5 e 3 bilhões de anos, aproximadamente a metade
da idade do Sistema Solar.
Nenhum dos dois satélites
marcianos tem atmosfera. Por causa dos efeitos de marés entre Marte e Fobos, o
satélite está se aproximando cada vez mais do planeta, prevendo-se que acabará
por cair nele em cerca de 30 milhões de anos. Há uma hipótese que sugere que os
dois satélites tenham sido dois asteroides que foram capturados pela gravidade
marciana.
Roberto Boczko
Astrônomo do Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade
de São Paulo.
O que é e como funciona um modem?
O modem é um equipamento
que permite a um computador se comunicar com outro por meio da linha
telefônica. Os dados dentro de um computador estão gravados na forma de
dígitos, ou seja, cada combinação de números 1 e 0 (código binário) forma um
bit, que é a unidade básica de informação. “o que o modem faz é transformar
esses dígitos em ondas de som capazes de trafegar por uma linha telefônica”,
explica o engenheiro eletrônico Paul Jean Jeszensky, da Universidade de São
Paulo. Essas ondas sofrem variação na frequência (número de vibrações por
segundo) ou na amplitude (início ascendente ou descendente da onda).
Quando as ondas chegam ao
outro modem, são decodificadas, ou seja, transformadas novamente em sinais
digitais. Daí vem o nome modem (modulador – demodulador). As ondas são
reinterpretadas como números, refazendo-se o código binário lido pelo
computador. Os modens podem ser mais rápidos ou mais lentos. Atualmente existem
dois modelos comuns. Um deles consegue transmitir 14,4 mil bps (bits por segundo)
e o outro até 28,8 mil bps. Esse equipamento pode ser externo, ligado ao
computador por um cabo, ou interno, com uma placa instalada dentro do gabinete.
A forma de funcionamento de ambos é a mesma.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Como funcionam os explosivos?
Existem
diferentes tipos, de variadas composições químicas, mas todos eles são feitos
de substâncias inflamáveis que, uma vez incendiadas, liberam gases de alta
temperatura com uma pressão violenta. Isso ocorre porque essas substâncias têm
moléculas muito instáveis, isto é, que se rompem facilmente, repelindo-se umas
às outras. A história dos explosivos começou na China no ano de 1000 d.C., com
a descoberta da pólvora: um pó preto formado pela mistura de carvão, enxofre e
salitre (nitrato de potássio), utilizado então apenas para fabricar fogos de
artifícios.
Foi o frade
alemão Berthold Schwarz quem, no início do século XIV, criou a primeira arma de
fogo, inaugurando o uso da pólvora para fins bélicos. Durantes 500 anos, esse
foi o único material empregado para detonar canhões, bombas, fuzis e pistolas –
até que, em 1846, foi descoberta, pelo químico italiano Ascanio Sobrero, a
nitroglicerina, líquido oleoso formado pela reação da glicerina, substância
obtida a partir de gordura animal, com ácido nítrico e sulfúrico. “O problema
da nitroglicerina é que ela é altamente instável, a ponto de explodir com o
mínimo calor, contato ou fricção. Isso cria grande dificuldade de manuseio”
afirma o químico Cláudio Di Vitta, da Universidade de São Paulo (USP). Para
torná-la mais segura, a substância passou a ser misturada com outros
componentes. Assim foi criada, em 1867, a dinamite, o explosivo mais utilizado
até hoje para demolição e escavações de canais, estradas e túneis. Daí vêm os
milhões de dólares distribuídos anualmente aos ganhadores do mais importante
prêmio científico mundial, que leva o nome do inventor da dinamite, o químico
sueco Alfred Nobel. Ele misturou a nitroglicerina a um tipo de terra rica em
fósseis, chamada kieselguhr, encartuchada
em bananas, como são chamados os cilindros de papel parafina que contêm o
explosivo. A dinamite é disparada por meio de um cordão com pólvora, compondo
um sistema de espoleta, cordel e estopim.
Outro
explosivo descoberto no século XIX foi o TNT, ou trinitrotolueno, utilizado
principalmente em munição militar, como minas, granadas e bombas. O motivo é
que se trata de uma substância mais segura, porque só explode em contato com
duas outras substâncias: azida de chumbo e fulminato de mercúrio. Por fim, o
membro mais moderno da família é o ANFO, abreviação de Ammonium Nitrate Fuel
Oil (óleo combustível nitrato de amônio, em inglês), criado em 1950. A explosão
ocorre em consequência da reação do vapor desse óleo com o gás decomposto do
nitrato de amônio. “As principais utilizações do ANFO são a mineração e a
construção civil, mas ele só pode ser aplicado em buracos totalmente secos,
porque o contato com a água dissolve os grãos de nitrato”, diz o engenheiro de
minas Benitéz Pereira Marques, gerente técnico de uma fábrica de explosivos
brasileira.
Super, Setembro de 2002.
Como é possível criar ímãs flexíveis?
Os ímãs
flexíveis, como os usados em porta de geladeira, são feitos com uma combinação
de ferrite (minério de ferro mais carbonato de bário) e plástico. A mistura é
realizada com o plástico derretido. A massa obtida é injetada em moldes para
dar o formato desejado. Depois que o objeto endurece, passa por um
magnetizador, que cria as linhas magnéticas e faz com que ele se transforme em
um ímã. O plástico funciona apenas como uma base flexível e, como não é
isolante, não interfere no magnetismo, possibilitando que o ímã continue
atraindo ferro e outros metais.
Como se formam os redemoinhos?
Lembra daquela
história de que o Triângulo das Bermudas era uma área perdida em meio a fortes
redemoinhos capazes de engolir navios e fazer aviões sumirem do mapa? Bom,
tirando a parte das lendas, o que sobra de fato são os redemoinhos. Mas eles
não são uma exclusividade daquela região. Podem acontecer em mar aberto, na
costa, em uma bacia. Enfim, não existe uma regra. Apesar disso, há um mínimo de
previsibilidade: podemos dizer que o fenômeno tem mais chance de surgir nas
áreas tropicais. Isso por causa do calor mais intenso, o que interfere
diretamente na elevação da temperatura dos oceanos.
O que ocasiona
o redemoinho é o encontro de uma parte da água aquecida com outras
circunvizinhas que – devido a sombras, nuvens etc. – não ficam tão quentes.
Especialistas estimam que a temperatura média de aquecimento da água para que
ocorra o fenômeno é de 26°C. Nessa temperatura, ela se torna mais leve, o que eleva o nível de
evaporação. Como o ar naquela superfície fica diferente, passa a existir a
chamada área de baixa pressão. Por conta disso, o vento ali sopra em movimentos
circulares. Pronto, está criado um redemoinho no mar.
Nos rios e lagos o fenômeno
também pode acontecer, mas a história é diferente. O que interfere nesses
ambientes é o fundo do rio. O solo com muitas depressões, pedras ou até buracos
de areia é responsável por auxiliar a formação do fenômeno. O princípio aqui é
basicamente o mesmo de abrir o ralo da banheira. Para que aconteça o redemoinho
é necessário que existe um “sumidouro”, ou seja, um ponto ou uma região que
absorve a água. E foi um deles que matou mais de 40 pessoas no dia 4 de maio de
2008, quando o barco Comandante Sales 2008 foi tragado pelas águas do rio
Solimões, no Amazonas.
Fernando Lang da Silveira, do Instituto de
Física da UFRGS; Mário Festa, engenheiro da Estação Meteorológica da USP;
Rogério Maestri, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da
UFRGS, e o site HowStuffWorks
domingo, 6 de julho de 2014
Como o enxofre pode se ligar mais de duas vezes ao oxigênio, sendo ambos bivalentes?
Valência, em
química, é a capacidade de um átomo de se ligar a outros. Já o número de
valência é o número de elétrons que o átomo pode ‘ceder’, ‘receber’ ou
‘compartilhar’ com outro quando estão ligados. Esses elétrons estão situados na
camada eletrônica mais externa, a camada de valência. Os chamados gases nobres,
por exemplo, têm a camada de valência completa, ou seja, não têm como ceder ou
receber elétrons. Por isso, são inertes: seus átomos não se ligam a outros.
Os átomos
reagem com outros para ficar mais estáveis (ou inertes). Quando um átomo cede
os elétrons da camada de valência, ele torna-se mais estável, porque a camada
eletrônica imediatamente anterior está completa. Já o átomo que recebe elétrons
busca completar sua camada de valência, o que o tornará inerte. Ao compartilhar
elétrons, os dois átomos envolvidos tendem a completar essa camada.
OS elementos –
excetuados os gases nobres – podem ter apenas um número de valência ou esse
número pode variar. A variação depende das características dos átomos
envolvidos na ligação.
O oxigênio,
quando se liga a outros elementos, tem em geral valência 2 (é bivalente), mas o
enxofre, ao contrário do que está na pergunta, é multivalente, já que tem
valências mais comuns de -2, +2, +4 e +6. A quantidade de elétrons que o
enxofre precisa para tornar-se mais estável vai depender do elemento ao qual se
liga. Com o hidrogênio, por exemplo, forma o gás sulfídrico (H2S) ou ácido
sulfídrico (quando dissolvido em água). Nesse caso, o enxofre tem valência -2.
Já no caso do gás sulfúrico (SO3) ou, quando adicionada água, do ácido
sulfúrico (H2SO4), o número de valência será +6.
Mário José Politi
Instituto de Química, Universidade de São
Paulo.
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