quinta-feira, 21 de abril de 2022

Como o choque elétrico corrige uma parada cardíaca?

 Fazendo pegar no tranco. O coração funciona com estímulos elétricos que se propagam pelo músculo causando contração e, depois, relaxamento. "Às vezes, por causa de doença cardíaca, acidentes ou complicações cirúrgicas, o impulso engasga e não chega", esclarece o professor Noedir Stolf, do Instituto do Coração, em São Paulo. Quando isso acontece, há fibrilação, isto é, o músculo entra em atividade caótica, sem conseguir contrair nem bombear o sangue.

Em alguns casos, basta uma pancadinha no peito para elimina a arritmia. Em caso de parada cardíaca, os médicos usam o desfibrilador, aparelho que dá choque no tórax. O efeito é o de uma pancada forte. O impacto normaliza a falha elétrica, fazendo o impulso ultrapassar a gagueira e chegar aonde deve. Não substitui o impulso, apenas desimpede o seu caminho. A descarga do choque pode ir até 200 joules (unidade de medida de energia) - o suficiente para acender uma lâmpada de 200 watts por 2 segundos. Mas só funciona quando a parada cardíaca é provocada por fibrilação. Quando o impulso elétrico deixa de ser emitido, só medicamentos ou massagens cardíacas podem fazer o órgão voltar a bater.


SUPER, janeiro de 1998.

segunda-feira, 11 de abril de 2022

A Exobiologia é reconhecida como ciência?

 Sim, e das mais importantes. Mas, por favor, não confunda Exobiologia, estudo de vida fora da Terra, com Ufologia, que trata de discos voadores. A Exobiologia é um ciência multidisciplinar que mistura elementos da Biologia, Física e Química. " É simplesmente apaixonante", diz o físico Carlos Vianna Speller, da Universidade Federal de Santa Catarina, que construiu um modelo da atmosfera de Titã, uma das luas de Saturno, em laboratório. Apesar da temperatura de 150 graus Celsius negativos, Titã possui os elementos químicos necessários para o surgimento da vida. " É o que a Terra foi há 4 milhões de anos." Ou seja, estudando a atmosfera do satélite, o cientista investiga a gênese e a evolução dos organismos na Terra. Na NASA. a agência espacial norte-americana, a Exobiologia é prioridade.


SUPER, Janeiro de 1998.

quarta-feira, 9 de março de 2022

Por que a parte de baixo de algumas nuvens é reta e a de cima é ondulada?

 Só as nuvens conhecidas como cúmulos têm a parte de baixo reta. Elas são formadas pela sobreposição de várias camadas de gotículas de água. Aliás, a palavra cúmulo significa mesmo a reunião de coisas sobrepostas. A formação delas ocorre da seguinte maneira. Em dias de Sol forte, alguns tipos de superfície da Terra absorvem radiação solar melhor que outras e, portanto, se aquecem mais rapidamente. " O ar entra em contato com essas superfícies e se torna mais quente e menos denso que o resto do ar que está a sua volta, subindo como se fosse uma bolha", diz o meteorologista Adilson Gandu, da Universidade de São Paulo.

Essa bolha é chamada de térmica. No momento de ascensão, o ar se resfria, provocando um aumento da umidade da térmica. Quando a umidade cresce, começam a se forma gotículas de água que se tornam visíveis na forma de nuvem. A nuvem se forma a uma altura em torno de 1 ou 2 quilômetros, dependendo da temperatura da térmica perto da superfície e da quantidade de vapor que ela carrega.

Quanto mais quente  e menos úmida for a térmica, mais alto será o ponto onde ela vira nuvem. Como o nível de condensação encontra-se em uma altitude bem definida, a base da nuvem se alinha na mesma altura e fica reta. O formato irregular das laterais e do topo se deve às novas térmicas que penetram pela base do cúmulo. Como a região já está cheia de gotículas de água, essas novas térmicas se condensam logo acima da primeira camada, e assim sucessivamente, criando um empilhamento.


SUPER, Julho de 1996.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Onde estão as duas sondas espaciais Voyager?

 Longe, muito longe. A Voyager 1 está a 10 bilhões de quilômetros da Terra e a Voyager 2, a 8 bilhões de quilômetros. E continuam se distanciando daqui a 70.000 quilômetros por hora. As duas foram lançadas em 1977 para fotografar os grandes planetas do Sistema Solar: Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. A trajetória das naves foi calculada para que a gravidade desses planetas as puxasse para a frente, aumentando a velocidade. " A missão é um sucesso", diz o astrônomo Jorge Carvano, do Observatório Nacional do Rio de Janeiro. " Elas descobriram 22 novas luas, encontraram anéis em Júpiter, atividade vulcânica em lo, um dos satélites jupiterianos, e gêiseres em tritão, uma das luas de Netuno. Em 1990, as duas ultrapassaram a órbita do último planeta, Plutão.

Mas a missão não acabou. Hoje, elas estão enviando dados sobre a heliopausa, uma região quase desconhecida do Sistema Solar, onde o vento solar (uma nuvem de partículas e plasma emitida pelo Sol) tromba com o vento de outras estrelas. As naves deverão funcionar mais vinte anos. Depois disso, vão vagar pelo Universo, desligadas, carregando discos de ouro dirigidos a eventuais extraterrestres, com gravações de imagens, músicas e saudações em várias línguas. Inclusive um "Paz e Felicidade para todos" em bom português. Uma missão maravilhosa.


SUPER, Julho de 1998.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Como se mede a velocidade do vento?

 "Não é possível perseguir uma partícula do ar para definir sua velocidade", diz o meteorologista Mario Festa, do Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo, "então temos que recorrer ao cálculo." A solução é um instrumento em forma de U, cheio de óleo, conhecido como Tubo de Pitot. Sabendo-se o peso do óleo e observando quantos milímetros o vento o empurra, os meteorologistas calculam a força do vento e deduzem sua velocidade. Mas há outros tipos de anemômetros, instrumentos para medir a velocidade do vento. O mais conhecido deles é o cata-vento, no qual as pás giram com a passagem do ar e geram energia. Medindo a energia produzida, sabe-se a velocidade do vento. Para obter precisão, no entanto, os cata-ventos precisam ser calibrados como Tubo de Pitot.

Entenda como o Tubo de Pitot mede a velocidade do vento

1 - O ar entra pelo tubo e empurra o líquido que está no fundo. Quanto mais forte, mais o óleo é empurrado para cima.

2 - O tubo graduado indica quanto a coluna de óleo subiu. Com isso calcula-se a intensidade do vento e, a partir dela, sua velocidade.


SUPER, Julho de 1998.


segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Por que os tecidos encolhem quando lavados?

Na fabricação, cria-se uma rede de fios que ficam esticados. Mas, com a água, eles deslizam uns sobre os outros e a trama se desorganiza. Aí a tensão diminui e os fios encurtam, como molas encolhidas. Resultado: quando seca, a roupa está menor. " Se lavar com sabão o efeito é maior, porque ele é um lubrificante que facilita o deslizamento", explica o engenheiro têxtil Paulo Alfieri, da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), em São Bernardo do Campo, São Paulo. Por isso, os tecidos de melhor qualidade já vêm previamente encolhidos (sanforizados). 

As roupas de lã encolhem mais porque suas fibras são recobertas por microescamas. Quando molhadas, elas se enroscam, contrariando o conjunto, a saber:

Antes de lavar: os fios de lã são formados por fibras recobertas por pequenas escamas; 

Molhada: As fibras incham abrindo as escamas, que se encaixam umas nas outras;

Seca: As fibras se enroscam e uma puxa a outra. O espaço entre elas diminui e o tecido encolhe até 30%.


SUPER, Julho de 1998.


quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Por que, quando uma bexiga estoura, faz barulho?

 A pressão do ar dentro da bexiga é cerca de 10% superior à pressão atmosférica fora dela. "Por isso, quando estouramos um balão, fazemos com que haja uma expansão repentina do ar comprimido que estava em seu interior", explica o físico Cláudio Furukawa, da Universidade de São Paulo. A expansão cria uma onda de pressão no ar, parecido com o estouro de uma bomba. A onda se propaga a uma velocidade de 340 metros por segundo até chegar ao ouvido, fazendo vibrar abruptamente os tímpanos. A diferença do estouro da bexiga e e da bomba é que, no primeiro caso, o ar comprimido se expande pelo rompimento da borracha e no caso da bomba pelo rápido aquecimento da combustão.

SUPER, Julho de 1996.