domingo, 2 de março de 2014

Por que cerveja faz mais espuma quando é servida em copo plástico?

Pode parecer estranho, mas isso ocorre porque a água – principal componente da cerveja – molha menos o plástico e mais o vidro", afirma o físico Maurício Kleinke, da Universidade Estadual de Campinas. Faça o teste em casa: encha de água um copo plástico e outro de vidro. Depois esvazie ambos. Você notará que o plástico parece seco, enquanto as paredes do copo de vidro ainda terão uma fina camada de água. Essa película faz a espuma da cerveja escorregar pelo vidro, puxando o colarinho para baixo. Quando despejada em um copo plástico, a espuma da cerveja não encontra essa barreira e pode subir livremente, ocupando às vezes quase todo o espaço que deveria ser preenchido por líquido. Em defesa do plástico, pode-se alegar que o tratamento dado aos copos de vidro é capaz de destruir totalmente um elegante colarinho. “Esses copos muitas vezes são mal enxaguados e contêm resíduos de sabão que inibem a estabilização do colarinho”, diz Kleinke.
Vale dizer que a espuma – gás carbônico que se desprende do líquido e fica retido em microbolhas – é muito bem-vinda em quantidades razoáveis. Ela protege a cerveja, pois retarda sua oxidação e impede a perda excessiva de gás.

Super, Junho de 2003.

Como os astronautas se aliviam no espaço?

Tudo flutua na gravidade zero, inclusive dejetos desagradáveis. Por isso astronautas utilizam um banheiro adaptado. Nos voos da Nasa, a privada usada é a Waste Collector Subsystem, uma super máquina, com mais de 4500 peças.
O usuário do vaso precisa se agarrar em barras de ferro na lateral, para não sair flutuando, e seus pés ficam presos em pedais com velcro.
No caso de um simples xixizinho, o astronauta conta com um urinol de plástico em forma de funil, que lhe permite capturar o jato de urina. Para as fezes, ele usa um sistema de sucção a ar que puxa o cocô para si. Nesses voos, a parte sólida dos dejetos fica armazenada e volta para estudos na Terra. Já o xixi é liberado Universo afora.

Super, Dezembro de 2004.

Qual seria o cenário após um acidente nuclear nível 7 nas usinas nucleares de Angra dos Reis e qual o alcance da radiação?

Em caso de acidente em uma das usinas da central de Angra dos Reis (RJ), devido às características dos seus reatores, o espalhamento dos elementos radioativos se limitaria às distâncias seguras de evacuação (máximo de 5 km) e de abrigagem (máximo de 15 km) previstas pelo Plano de Emergência Externo. Note que essas distâncias são definidas por normas internacionais.
Acidentes nível 6 e 7 só são possíveis em usinas com reatores que usam grafite como moderador de nêutrons, como o RMBK (reator de alta potência resfriado a água fervente e moderado a grafite) soviético usado em Chernobyl, o único acidente nível 7 da história, e o reator grafite - gás britânico tipo Magnox, responsável pelo único acidente nível 6 até hoje. Ambas são tecnologias obsoletas.
Em um reator a água, que não usa grafite nem outra forma de acumulação de grande quantidade de energia capaz de ser liberada em curto período, não existe energia disponível para a dispersão do material radioativo. Esse é o caso de cada um dos quatro reatores BWR (reator de água fervente, na sigla em inglês) japoneses, afetados pelo atual acidente em Fukushima, e os PWR (reator de água pressurizada), que juntos compõem cerca de 90% da frota mundial, incluindo Angra 1 e Angra 2.
Assim, comparações entre os acidentes de Fukushima e de Chernobyl não são tecnicamente corretas. Naquele trágico acidente na atual Ucrânia, os materiais radioativos foram dispersos em grande quantidade e a grandes distâncias devido à energia liberada pelo incêndio de centenas de toneladas de grafite no interior do reator, que levou vários dias para ser apagado, ao custo da vida de dezenas de heroicos bombeiros.
Recentemente, a Autoridade de Segurança Nuclear Japonesa (NISA) classificou provisoriamente o conjunto das quatro usinas acidentadas como nível 7, embora o espalhamento de produtos radioativos estimado seja inferior a 10% daquele que ocorreu em Chernobyl. Essa decisão vem sendo duramente criticada pela Agência Internacional de Energia Atômica.

Leonam dos Santos Guimarães

Gabinete da Presidência, Eletronuclear.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Como a estrela de nêutrons pode ter 1 milhão de toneladas em um espaço onde só cabe a cabeça de um alfinete?

Não parece, mas os átomos que formam tudo o que conhecemos, do ar ao chumbo, estão cheios de nada. Quase toda a massa deles está no seu minúsculo núcleo. O resto é um vazio onde os elétrons voam loucamente. Uma estrela de nêutrons é um astro superpesado. Ela se forma quando a incrível gravidade de uma estrela muito grande espreme os átomos, acabando com o espaço entre eles. “Os elétrons são capturados pelo núcleo, gerando uma explosão, a supernova”, explica o físico nuclear Takeshi Kodama, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Depois, a estrela passa a ter só núcleos, que são pura massa. Fica tão pesada que, se colocarmos um pedaço dela do tamanho de uma cabeça de alfinete numa gangorra, teremos que botar dois petroleiros no outro lado para equilibrar.



Super, Junho de 1999.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Por que o céu é azul?

Você já deve ter visto fotos tiradas no espaço e reparado que o céu por lá é preto, pretinho. Os astronautas que foram à Lua, por exemplo, encontraram um céu dessa cor, o que deixa no ar a pergunta: por que o céu visto aqui da Terra é azul?
A resposta pode parecer meio esquisita, mas é a pura verdade. Ao contrário da Lua, a Terra tem uma camada de ar ao seu redor: a atmosfera. Então, se o céu é azul é porque o ar tem essa cor! Afinal, há apenas ar no céu...
Mas por que o ar é azul? Para entender, primeiro, precisamos falar da luz!
Você sabia que a luz é uma onda, como as que vemos no mar? Pois é! Mas nós não percebemos isso porque, quando falamos da luz, estamos nos referindo a ondas muito pequenas. A luz que nós podemos enxergar, como a que vem do Sol, por exemplo, é uma onda minúscula: só se dividíssemos um milímetro em mil partes iguais acharíamos o seu comprimento!
Porém, a luz solar tem outra característica interessante: por ser branca, ela é uma mistura de várias cores. Cada uma dessas cores corresponde a uma onda com um determinado comprimento. A luz, por exemplo, é uma das ondas menos compridas que podemos ver.
Mas o que tudo isso tem a ver com o fato de o céu ser azul? Quando a luz do Sol chega à Terra, ela esbarra com a atmosfera. Embora não possamos ver, o ar que está ali possui pequenas irregularidades e, quando a luz do Sol as encontra, ela se espalha pela atmosfera, chegando aos nossos olhos. Detalhe:
Lembra-se de que a luz solar é uma mistura de cores? E que cada cor é uma onda com um determinado comprimento? Pois bem: as ondas com os menores comprimentos são as que mais se espalham pela atmosfera. E como a luz azul está entre as menos compridas... Ela é a que mais se espalha em todas as direções. Por isso, vemos o céu azul!
Existe uma pessoa, no entanto, a quem devemos agradecer por sabermos, hoje, por que o céu é azul: Albert Einstein. Foi ele quem percebeu que era importante prestar atenção às irregularidades do ar para entender o que ocorria com a luz do Sol quando ela entrava na atmosfera. Assim, acabou sendo um dos cientistas que contribuíram para explicar por que o céu tem essa cor!


Martín Makler
Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas

Ciência Hoje das Crianças, Junho de 2005.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Como são medidas as calorias dos alimentos?

A quantidade de energia fornecida pelos alimentos durante os processos de digestão e metabolização é o que chamamos de caloria. Essa energia fica armazenada nas ligações químicas dos macronutrientes dos alimentos (proteínas, carboidratos e lipídeos) e está diretamente relacionada à quantidade dessas substâncias.
A unidade física caloria é a quantidade de calor ou energia necessária para elevar em um grau centígrado um grama de água. Como uma caloria é uma unidade muito pequena, para facilitar a determinação do teor energético dos alimentos padronizou-se usar o termo quilocalorias (kcal), que equivale a mil calorias. Em nutrição, é comum usar o termo Caloria com “C” maiúsculo, para designar a quilocaloria.
Cada um dos macronutrientes dos alimentos fornece uma quantidade diferente de calorias. Um grama de carboidrato e proteína fornece aproximadamente 4 calorias, enquanto que os lipídeos fornecem 9 calorias por grama. O álcool também é considerado um nutriente energético, pois cada grama é capaz de fornecer 7 calorias ao organismo. Ou seja, para se calcular a quantidade de calorias fornecida por cada alimento é necessário saber não apenas a quantidade a ser consumida, mas também conhecer a proporção de macro nutrientes que contém. Essa proporção pode ser consultada na Tabela Brasileira de Composição de Alimentos, reconhecida pelo Ministério da Saúde.

Isabela Teixeira Bonomo
Instituto de Nutrição Josué de Castro, Universidade Federal do Rio de Janeiro.

 Ciência Hoje, Junho de 2011.

Por que os trilhos do metrô, ao contrário dos trilhos dos trens, não têm folgas para acomodar a dilatação dos metais?

Atualmente quase todas as linhas de metrô do mundo são construídas com trilhos longos, soldados continuamente, sem folgas. Antigamente, o espaço era necessário para permitir a dilatação do metal sob o calor. O que eliminou essa necessidade foram as modernas molas de aço capazes de absorver a dilatação e a tensão provocadas pelo peso e pela aceleração do trem.
"Os trilhos com folgas para a dilatação exigem muito trabalho de manutenção e provocam desconforto para os passageiros, porque causam mais ruído e trepidação", explica o engenheiro Kyioshi Hiraoka, da Companhia Metropolitana de São Paulo. Por isso também as ferrovias estão deixando de usar esse sistema.
  

Super, Setembro de 1996.